Duração: 2022 – 2024

Investigador Responsável

Magda Carvalho

Membros da Equipa

Tiago Almeida

Entidades Financiadoras

Direção Regional da Ciência e da Tecnologia

Linha de investigação:
Educação, Cidadania e Inclusão

O projeto escuto.te constitui-se a partir do Mestrado em Filosofia para Crianças, da Universidade dos Açores (UAc), programa inovador no panorama da formação especializada nacional e internacionalmente, que nos últimos 6 anos tem juntado estudantes, docentes e especialistas de vários países em torno dos cruzamentos entre filosofia e infância. Como infraestrutura investigativa, o NICA (UAc) tem promovido atividades de investigação e divulgação na área, fomentando o pioneirismo da RAA na Filosofia para/com Crianças e na Filosofia da Infância. Assim, a UAc tem hoje um conjunto qualificado de investigadores em distintos contextos geográficos e educativos, reafirmando a Filosofia como oportunidade para reclamar a importância da escuta das crianças e a necessidade de promover diferentes expressões das suas vozes.

A aproximação entre filosofia e infância é uma linha educacional inovadora, constituindo um movimento internacionalmente disseminado e uma área de estudos de grande projeção. Pretende-se assumir a especificidade do trabalho da UAc nesta área e, a partir da voz e da escuta, pensar uma ressignificação das relações educativas. Entendida como marca de uma singularidade plural que se dá num espaço coletivo, a voz comunica e constitui o próprio sujeito que fala. É, assim, fundamental pensar a sua potencialidade política enquanto resistência crítica contra a massificação e a manipulação do pensamento no espaço público. Por seu lado, a escuta é um modo específico de relação com os outros, numa permanente atenção ao que se cria e reverbera sempre que alguém fala. Escutar é atender ao que não está imediata e permanentemente acessível (como acontece com a visão), àquilo que cabe a cada um cumprir no espaço partilhado das intersubjetividades e àquilo que cada um é (para lá do que verbaliza).

Contrariando uma dinâmica vertical de comunicação e procurando que o projeto seja corpo para aquilo que pretende estudar, adotar-se-ão metodologias em que a voz de todos os envolvidos, sobretudo as crianças, seja considerada. Não se pretende investigar sobre a infância ou para a infância, mas com a infância. Assim, a presença da filosofia na Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico é uma oportunidade de envolvimento significativo e um espaço e um tempo privilegiados para a ressignificação da infância.

Pretende-se congregar um conjunto de investigadores que promovam diferentes atividades filosóficas com crianças (em distintos pontos geográficos e culturais) onde se explore cartograficamente a voz e a escuta como práticas políticas na (e da) infância. A partir daí identificar-se-ão áreas prioritárias das suas vivências escolares, incentivando-se um olhar crítico sobre discursos e práticas através de atividades e linguagens diversificadas. Paralelamente, ensaiar-se-ão movimentos formais e informais em que essas vozes possam ressoar e afetar os entornos institucionais, transformando-as em fonte de conhecimentos e de decisões viáveis e legítimas

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